Rowland
Hill nasceu em Kidderminster, em 1797. Havia lecionado
por algum tempo na escola que o pai dirigia, e depois
empreendeu viagem de estudos sobre o problema da agricultura,
chegando finalmente à Austrália. Em
1830, voltando à pátria, começou
a estudar o serviço postal, com a intenção
de modernizá-lo, tornando mais prática
a expedição da correspondência
e garantindo ao erário a cobertura das despesas
de serviço por meio do pagamento antecipado
da tarifa.
A história que inspirou a reforma postal,
e que deriva de uma observação casual,
já virou lenda. Há quem sustente que
a descoberta de uma patética fraude postal
– que impulsionou a reforma – não
tendo sido mérito de Hill, mas de seu amigo,
o escritor Samuel Taylor Coleridge.
O fato narrado é o seguinte. Hospedado num
albergue no campo, Hill (ou Coleridge) vê chegar
a diligência do correio e presencia a distribuição
da correspondência. O carteiro entrega, entre
outras, uma carta a uma jovem camareira que, depois
de olhá-la e revirá-la, devolve-a sem
abrir, dizendo que não tem dinheiro para pagar
a tarifa exigida. Comovido, Hill (ou Caleridge) teria
então pago a importância ao carteiro.
Para sua surpresa, a moça, em seguida, confessou
que o dinheiro havia sido gasto inutilmente. Ela já
sabia tudo o que o irmão (ou noivo) queria
dizer-lhe: alguns sinais particulares sobre o envelope
permitiam-lhe saber que o remetente estava bem de
saúde, sentia saudades e esperava revê-la
em breve. Ao confirmar por meio desse episódio
que o sistema de pagar pelas cartas ao recebê-las
estava ultrapassado e trazia prejuízos aos
cofres do Estado, Hill ficou convencido de que sua
reforma dos correios era indispensável.
Não
houve de início muito entusiasmo em relação
ao projeto de reforma. O parlamento chegou até
a mostrar-se hostil num primeiro momento. O pior inimigo
do projeto era Robert Fell, presidente do conselho.
Mas ele acabou perdendo a batalha a partir do momento
em que um exame mais aprofundado da Post Office Reform
convenceu os parlamentares das vantagens da proposta
de Hill.
Uma concorrência convocada para
os esboços do primeiro selo, a Treasure Competition,
não produziu resultados satisfatórios.
Foi acolhida então a idéia de dedicar
a primeira emissão de selos à rainha Vitória,
utilizando para isso o esboço feito a partir
de uma medalha preparada pelo artista William Wyon.
Edward Henry Courbould reproduziu em aquarela a obra
de Wyon e passou-se à execução
definitiva, a gravação. Foram então
chamados dois mestres dessas arte, Frederick e Charles
Heath. A impressão ficou a cargo da empresa Perkins,
Bacon & Co., de Londres. Nascia assim o penny black,
juntamente com o selo de serviço (que não
chegou a ser emitido) que traz a sigla V.R. (Victora
Regina) em lugar das cruzes de Malta da versão
normal, assim como o two pence azul.
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