Philippe Ferrari
De Filateli
Philippe Ferrari passou para a história como o maior colecionador que já existiu. Era filho de um financista genovês, conhecido como "o rei das ferrovias", proprietário de uma imensa fortuna e nomeado duque de Galliera. Intolerante em relação às austeras regras familiares, o jovem Philippe decidiu estabelecer-se no Quartier Latin, abandonando o palácio parisiense da Rue de Varenne. Recusando no início a ajuda da família, começou logo a aceitar a generosidade materna ao ver-se acometido de uma grande paixão pelos selos.Seu pai, ao morrer, deixou-lhe como herança uma fortuna de valor incalculável. O "rei das ferrovias" entre outras coisas, possuía uma biblioteca com 300 volumes, encadernação a couro, cada um formado por mil páginas, que eram compostas de outras tantas cédulas de mil francos.
A mãe, de longínquas origens austríacas, ao morrer doou o palácio da Rue de Varenne ao imperador Francisco José, que o transformou na embaixada da Áustria, reservando a Philippe uma ala em usufruto perpétuo. O jovem aceitou tornar-se rico, mas recusou enfaticamente os títulos nobiliárquicos da família. Fez-se adotar por um oficial austríaco, Emanuel la Renotière von Kriegsfeld, passando a assinar desde então com o nome de Philippe la Renotière von Ferrari.
Ferrari reservou três cômodos do palácio Galliera a sua coleção filatéilica, nomeando curador um conhecidíssimo comerciante parisiense de selos, Pierre Mahé, ao qual destinava um valor fixo semanal de 50 mil francos para as aquisições que enriqueciam a coleção. Com essa facilidade de recursos econômicos, não foi difícil fazer com que trocassem de proprietário as coleções do juiz inglês Philbric, a de Sir Daniel Cooper, governador da Nova Zelândia, ou a do barão Arthur de Rothschild, do ramo francês de uma família constantemente citada em filatelia. Phillipe foi a Liverpool para comprar o único exemplar conhecido do 1 centésimo vermelho-magenta da Guiana Inglesa de 1856 (o "Guiana Vermelho"), que o comerciante Thomas Ridpath havia adquirido por um preço bem baixo de um amigo seu da colônia, a quem havia sido vendido por um valor simbólico pelo rapaz de Demerara que encontrara o selo entre as cartas de sua família. Ferrari o adquiriu por uma soma considerada na época como o exagera de um extravagante. E, com obstinação, continuou a comprar selos durante anos, sem jamais vender um exemplar sequer – acumulando duplicatas em seus armários e peças únicas nos álbuns de sua coleção. Foi convencido a fazer apenas uma ou outra troca – por exemplo, cedendo dois exemplares do 2 cents Post Office de Maurício em troca de um selo do Afeganistão que faltava em sua coleção, ou a carta com o único exemplar conhecido do mestre postal de Boscawen, Estados Unidos, ou aquele, feio mas igualmente ambicionado, do Postmaster de Lockport. Conseguiu alinhar 12 exemplares do mais procurado selo dos antigos Estados italianos, o 3 liras do governo provisório da Toscana. E adquiriu por um preço elevado os famosos erros de cor do Cabo da Boa Esperança (os "Triângulos do Cabo").
Devido a sua inclinação sentimental pela Alemanha, ao eclodir a Primeira Guerra Mundial, Ferrari mudou-se para a Suíça. Deixou com seu secretário a custódia da coleção, carregando apenas o conjunto de selos gregos, sua paixão mais recente. Ferrari morreu em 20 de maio de 1917, nomeando em seu testamento como herdeiro de sua coleção o Museu Postal de Berlim. Mas o governo francês seqüestrou os selos, vendeu os exemplares em leilão e ficou com a arrecadação, a título de indenização de guerra. No Hotel Druot de Paris, entre 1921 e 1924, foram arrecadados 26.482.964 francos. Primeira entre as empresas leiloeiras, a londrina Stanley Gibbons ofereceu-se para comprar tudo por 12 milhões.


